As mulheres e a tecnologia

As mulheres e a tecnologia

Os números não mentem, as mulheres representam cerca de 48,78% da população ativa em Portugal, ganhando em média menos 18,36% do que os homens, segundo o estudo da Honeypot.

Na área tecnológica, representam somente 16,08% dos trabalhadores – um número bastante reduzido quando comparado com os países que ocupam o pódio, nomeadamente a Bulgária (30,28%), o Canadá (24,44%) e os Estados Unidos (24,24%).

Este défice inicia-se desde o ensino superior, sendo que 30,56% dos alunos nos cursos de ciências, tecnologia engenharia e matemática são mulheres. Apesar de ser um valor bastante próximo dos países com maior representatividade feminina – Turquia (37,11%), Roménia (31,51%) e Reino Unido (31,03%) – continua a estar longe do ideal.

A nível salarial, existem discrepâncias muito preocupantes. O salário médio anual nas áreas tecnológicas é de 31 491€, porém, no caso das mulheres este valor diminui para 27 996€, o que equivale a um gap de 11,10%.

Países com menor gap salarial na área tecnológica
– Turquia (8,42%)
– Nova Zelândia (9,84%)
– Suécia (10,60%)

Países com maior gap salarial na área tecnológica
– Coreia do Sul (41,17%)
– República Checa (32,50%)
– Japão (31,96%)

 

A liderança no feminino

A diversidade a nível da gestão e da C-suite tem se demonstrado uma preocupação crescente das empresas, no entanto, as mulheres ainda têm pouca representatividade. Apesar disso, a percentagem de mulheres em cargos de chefia tecnológica tem vindo a aumentar – principalmente quando comparando com outras áreas de atuação –, e já se começam a confirmar as vantagens da sua presença.

As mulheres beneficiam de caraterísticas como a empatia, flexibilidade, persuasão e a assertividade. Estas caraterísticas estão alinhadas com aquilo que é necessário para liderar e gerir uma equipa tecnológica, sendo que apresentam inclusivamente melhores resultados do que os líderes masculinos em áreas como a inteligência emocional e as competências interpessoais.

A sua presença em posições de liderança está correlacionada com melhores resultados financeiros, melhores dinâmicas nas equipas e maior produtividade. A diversidade de género na tecnologia está também associada à melhoria do desempenho operacional e financeiro, melhor cumprimento de tempos do projeto e menos custos associados, ao aumento da inovação, da produtividade individual e do grupo.

 

As barreiras existem e são bem reais

A falta de representatividade feminina na área tecnológica começa desde o ensino superior. As poucas mulheres que entram na indústria sentem-se isoladas e colocadas de parte, vendo as suas competências questionadas constantemente.

O estudo da ISACA apresenta 5 grandes barreiras que se impõem às mulheres na indústria tecnológica:

  • Falta de mentores (48%)
  • Falta de exemplos a seguir (42%)
  • Preconceitos de género no local de trabalho (39%)
  • Oportunidades de crescimento desiguais em relação aos homens (36%)
  • Diferenças salariais para as mesmas competências (35%)

A falta de mentoras e de exemplos a seguir resulta infalivelmente na exclusão de círculos de informação que poderiam impulsionar o desenvolvimento das suas carreiras. Assim, acresce a importância de círculos de mulheres na área, para que exista partilha de experiências e conhecimento.

O setor é visto como maioritariamente masculino, sendo a maioria dos líderes e modelos a seguir homens. Se a estes aspetos acrescentarmos a falta de incentivos das escolas para que as mulheres sigam carreiras na área e a falta de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, temos a receita para a falta de representatividade com que nos deparamos.

 

We can all be Wonder Women!

No seu questionário anual, a Stack Overflow questionou os developers sobre as suas prioridades quando procuram por trabalho, demonstrando que as mulheres priorizam a cultura da empresa e as oportunidades de desenvolvimento profissional. Assim, é notório que as mulheres querem de facto progredir nas suas carreiras e procuram estas oportunidades ativamente, e cabe às empresas responder a este desejo.

A diversidade de género nas equipas tecnológicas e na gestão de equipas não só combate a falta de profissionais nesta área, mas também apresenta vantagens acrescidas como o aumento da produtividade e da retenção de talento.